Juventude em Prosa

Pernambuco, Bahia e Paraíba Realizam Roda de Diálogo no Fórum Social Mundial de Salvador

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24/04/2018

Por Juliana Peixoto

A atividade aconteceu durante o Fórum Social Mundial, que aconteceu em Salvador, Bahia. Partilharam experiências as  instituições elas AS-PTA, Centro Sabiá, GCASC e CIPÓ da Paraíba, Pernambuco e Bahia, respectivamente. A ação fez parte das atividades autogestionadas realizadas pelas juventudes e suas organizações. O objetivo foi dialogar sobre as conquistas e desafios do trabalho de assessoria com as juventudes e que recebe o apoio da Terre des hommes (TDH) – Suíça. Veja abaixo  as partilhas de cada organização:

O Grupo Comunidade Assumindo suas Crianças ( GCASC):  trouxe para partilha a experiência do projeto mães da saudade, o qual tem por ideia a valorização da vida por justiça e uma cultura de paz e redução da violência urbana em Peixinhos, bairro de Olinda. O trabalho é desenvolvido por meio de ações de prevenção e sensibilização na perspectiva de resgatar a auto estima de suas mães que estão esquecidas nas suas comunidades.

A Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa  (AS -PTA): trouxe  para a roda de diálogos experiências como a do Fundo Rotativo Solidário, Trabalho em Rede, Acesso a Mercados e Viveiros de Mudas. Os destaques para as conquistas foram ampliação de jovens experimentadores. Isso deu mais autonomia aos jovens, onde muitos puderam dar continuidade aos estudos, mais empoderamento aos jovens nas parcerias com as universidades. Conseguindo, também, o acesso a água através do apoio de politicas publicas, e mobilização para a marcha da juventude onde se reivindica seus direitos, acesso a mercados como feiras agroecológicas. Também deu acesso a financiadores para execução de projetos com jovens. Por outro lado, apresentou-se desafios como pouca terra para toda família produzir, perca dos direitos fruto do golpe político, judicial e midiático sofrido, a violência no campo, fechamento de escolas rurais, poucos jovens nos movimentos sociais, acesso a politicas publicas especificas para jovens, jovens deixando o campo para trabalhar na cidade.

O Centro Sabia: trouxe sua experiência de maneira lúdica, através de um Programa de Televisão  “Jovens Pelo Direito de Viver”. Os/as jovens assessorados/as estão organizados/as enquanto Comissão de Jovens Multiplicadores/as de Agroecologia (CJMA). A CJMA reúne 150 jovens das regiões da Mata Sul, Agreste e Sertão de Pernambuco. Os/as jovens esclareceram questões como atuação da comissão e geração de renda para esses jovens e os espaços para comercialização, diversidade de gênero e igualdade racial, mobilização e formações dos jovens e divulgaram a fanpage do grupo “jovens multiplicadores e multiplicadoras de Agroecologia”. 

Os/as jovens mostraram os  desafios enfrentados como a falta de oportunidade, desconstrução dos mitos jovens que não quer nada, sucessão rural, falta de interesse do governo para apoiar as juventudes. Para encerrar o programa cantaram em uma só voz anunciando o Encontro Nacional de Agroecologia “Cheguei meu povo, cheguei pra partilhar, cheguei meu povo cheguei pra partilhar, se você ainda não sabe nosso ENA é em BH, se você ainda não sabe nosso ENA é em BH”.

A CIPÓ Comunicação Interativa:  trouxe um documentário produzido por eles com o título ão somos mais um”.  O documentário mostra que 76% dos jovens vítimas de assassinato são jovens negros. Chamaram a atenção sobre o direito a vida que é o primeiro direito da nossa Constituição e isso tem sido negado,  pois inocentam  o branco para criminalizar os negros. O tema da juventude é pauta nas políticas publicas e lei na Constituição Federal. O que tem acontecido é que jovens são exterminados e o Estado coloca a culpa na família. O que se vê é que o jovem negro e pobre  é descriminado desde que chega à delegacia. A fome falta de dinheiro, a cor, falta de conhecimento e emprego favorecem  o extermínio. Precisamos defender os nossos jovens. Os jovens levam poesia, teatro, arte, música, pois são formas de mostrar a cara das juventudes e acabar com a ideia de que a juventude não tem voz. Uma das mensagens deixadas pelo documentário aos participantes do Fórum Social Mundial é que a Juventude não é caso de polícia, a  juventude é caso de políticas públicas.

Ao final teve interação da plenária e um dos esclarecimentos foi sobre a incidência política desses jovens assessorados. Na oportunidade, deu-se exemplos de lugares onde eles e elas estão ocupando  como presidência de associação comunitária, exercendo tarefas nos sindicatos, conselhos municipais de desenvolvimento, conselho tutelar, conselho de saúde e conselho estadual de políticas publicas para as juventudes.

VIVA AS JUVENTUDES QUE ESTÃO EMPODERADAS, QUE OCUPAM SEUS LUGARES E QUE SÃO DE LUTA. É COM ESSE ESPÍRITO QUE SEGUIMOS RUMO AO IV ENA (ENCONTRO NACIONAL DE AGROECOLOGIA)