Juventude em Prosa

Qualidade de vida e dignidade para famílias agricultoras

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12/02/2020

Foto: Comissão de Jovens Multiplicadores/as da Agroecologia (CJMA)

No semiárido brasileiro tecnologias sociais chegam para mudar realidades do desperdício de água

Por Gabriel Venâncio, jovem multiplicador da agroecologia do município de Flores/PE

O Centro Sabiá em parceria com o Caatinga, entidade que atua no Sertão do Araripe Pernambucano, com o apoio da Cáritas Suíça, desenvolveram o projeto de reuso de água cinza o denominando RAC/SAF (Reuso de Água Cinza/ Sistema Agroflorestal), que tem como objetivo o reuso das águas que são gastas nas casas das famílias no dia a dia comum, com lavagem de roupas, louça e até mesmo águas gasta no banho e pias do banheiro. O primeiro ano de atuação desse belíssimo projeto foi 2019, esse ano foi ampliado o número de famílias a receberem essa tecnologia social e com o novo apoio, agora da Cáritas Alemã, passando de 100 para 400 do número de famílias, e a inclusão da região agreste do estado de Pernambuco. Nós do Assentamento Parceiros do Pajeú fomos umas das comunidades a serem inseridas nessa nova etapa do projeto, tendo em vista a implantação de cinco novos sistemas para o assentamento. O intuito  do RAC/SAF é a boa utilização dos recursos que antes eram desperdiçados e agora é bem destinado e utilizado na produção dentro do agrossistema. Além do filtro que compõem o sistema é feito uma implantação de um sistema agroflorestal para produção de longo, médio e curto prazo. A curto prazo, esses sistema consegue recuperar áreas degradadas e melhorar a fertilidade gradativamente do solo, já a médio prazo ele consegue produzir de forma eficaz alimento para animais de pequeno porte, como cabras, galinhas, porcos entre outros, a depender da escolha das famílias, e a longo prazo o sistema além das outras duas funções consegue reflorestar essas áreas, e dar qualidade de vida as famílias que fazem uso do mesmo. 

Nessa nova etapa do projeto, tendo em vista a ampliação do número de famílias, foi dividido em três etapas, as quais nessa primeira etapa serão cadastradas 75 famílias, e dia no 10 de fevereiro de 2020 foi dado início à primeira etapa, com  atividade  no Assentamento Parceiros do Pajeú onde foi selecionada cinco famílias a serem contempladas com o sistema, a reunião  rendeu boas conversas e tirou muitas  dúvidas dos associados sobre a nova tecnologia. 

“Desde que nos mudamos para o assentamento enfrentamos muitas dificuldades por não ter água suficiente para produzir e sempre nos preocupamos com o período de estiagem, como sempre segui os ensinamentos de meu saudoso pai, Raimundo Ferreira que sempre produziu de forma agroecológica. Desde que nos mudamos queríamos ter uma agrofloresta onde pudéssemos ter várias formas de produção, mas nunca foi possível por não dispormos de bons recursos de água, porém com a chegada do RAC/SAF vamos mudar para melhor, poderemos produzir como sempre sonhamos pois fui uma das contempladas e agora  poderemos pôr em prática todos os nossos conhecimentos sem se preocupar com o período de estiagem”, diz Silvana Lucas, presidente do Assentamento.

Foto: Comissão de Jovens Multiplicadores/as da Agroecologia (CJMA)

“O projeto do RAC/SAF para nossa comunidade vai ser muito proveitoso, além do reaproveitamento d’água que antes iria pro esgoto e agora vai ser reaproveitada no período de estiagem, antes era um dos grandes gargalos da produção familiar. A gente não tinha expectativa em ter muitas plantas no sistema, mas com a chegada  dessa tecnologia podemos sonhar um pouco mais, podemos pensar num futuro onde iremos produzir alimentos para os animais com as plantas forrageiras, e também para nós com as frutíferas” complementa  Vania Venâncio, integrante da Comissão de Jovens Multiplicadores da Agroecologia(CJMA) e uma das jovens mulheres a receber o sistema em sua casa.

Tecnologias simples como essas fazem toda diferença nas vidas das famílias, que muitas vezes são privadas de assistências básicas devido a ausência de politicas públicas de fato eficientes que garantam o bem viver das populações do campo. E são com iniciativas como essas que é possível mudar alguns pensamentos da sociedade, como o de  que no semiárido só tem solo rachado e pessoas passando fome. São tecnologias simples e eficazes, que tem como prioridade contribuir e facilitar a permanência dos agricultores no campo. Tecnologias essas que são  diferentes do que a grande mídia anuncia que é agro e é pop, aqui somos agro de agroecologia e somos pop de popularidade e igualdade social. Pois no semiárido a vida pulsa e pulsa mais forte, aqui o povo resiste, e resiste com qualidade de vida e segurança alimentar, aqui o chão racha de verdade mas é de plantas como a macaxeira que serve de alimento para o povo, e sim, passamos fome mais é fome não de alimento mas de compreensão por parte de quem não conhecem nossas realidades.