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Agricultura familiar e sua deliciosa teimosia em ser feliz

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03/08/2017

Exposição do fotógrafo João Rberto Ripper segue aberta ao público



Exposição segue no Museu da Abolição em Recife até dia 11 de agosto. | Foto: Sara Brito/Centro Sabiá

No mês de julho, o Centro Sabiá completou 24 anos de vida e trabalho em Pernambuco, em prol da agricultura familiar e agroecologia. Para celebrar este momento realizou uma série de atividades, entre elas a exposição “Uma Deliciosa Teimosia em Ser Feliz”, que retrata a vida de agricultoras e agricultores familiares do Semiárido e da Zona da Mata pernambucana, com imagens do fotógrafo e documentarista carioca João Roberto Ripper. A exposição teve cerimônia de abertura no dia 21 de julho, no Museu da Abolição, no bairro da Madalena. A abertura da exposição contou também com uma homenagem ao agricultor agroflorestal Jones Severino Pereira, falecido em maio. A exposição é aberta ao público e tem realização da ONG Centro Sabiá.

Com curadoria de Luciana Dantas e design de Alberto Saulo Lima, 20 fotos estão expostas, resultado da documentação realizada por Ripper com o Centro Sabiá, na Zona da Mata, Agreste e Sertão de Pernambuco, onde fotografou dinâmicas da agricultura familiar, experiências de convivência com o meio ambiente e práticas em agroecologia. João Roberto Ripper é um fotógrafo que coloca a sua obra e a sua vida a serviço dos direitos humanos no Brasil. É idealizador do Projeto Imagens do Povo, uma Agência-Escola de Fotógrafos Populares do Observatório de Favelas, localizada no complexo de favelas da Maré, no Rio de Janeiro.

“Eu tenho que agradecer pela oportunidade de fazer essas imagens e poder ver tanta beleza nessas pessoas. O que se faz hoje nos meios de comunicação é retirar toda a beleza das notícias, mas a beleza é fundamental na existência humana, então por que não é mostrada essa beleza? Eu só tenho a agradecer muito a todas as populações que eu fotografei, que me ensinaram tanto. E é muito bom que essas ações façam parte de um projeto maior, de agricultura em espaços urbanos. É um prazer fazer parte desse projeto ao lado do Centro Sabiá”, disse Ripper, na cerimônia de abertura.


Seu Paulo mostra as fotos em que aparece na exposição. | Foto: Sara Brito/Centro Sabiá

A abertura da exposição contou com a presença de agricultores e agricultoras que tem fotos compondo a mostra. Para Amara Magaly Tomé da Silva, da comunidade quilombola de Engenho Siqueira, Rio Formoso, na Zona da Mata, ver fotos sua na exposição é emocionante. “Aí não tem nada de diferente, é a nossa cultura mesmo. E ele é uma pessoa muito paciente, muito observadora. A experiência que adquirimos com ele jamais vamos esquecer. Ele é uma pessoa que se mistura com a gente”, diz a agricultora ao falar da relação com Ripper ao ser fotografada por ele.

Emoção também foi sentida pelo agricultor Paulo Martins da Silva, do Sítio Cabraiba, em Jataúba, Agreste do estado. “Fiquei muito emocionado, não tem como a pessoa não se emocionar. Eu nunca esperava uma surpresa dessa”, contou.

Homenagem – Durante a abertura da exposição, a memória, vida e frutos do trabalho do agricultor Jones Severino Pereira foram lembrados, e em sua homenagem foi plantada uma muda de árvore, para que cresça e floresça em sua memória. “Jones sempre dizia que o Sabiá é uma família. Nós vamos continuar o trabalho dele, o nosso trabalho com a Agrofloresta. E eu convido todos os agricultores e as agricultoras a se juntarem a nós, nós não vamos nunca deixar de defender a natureza”, evocou Lenir Pereira, companheira de Jones.

As fotos continuarão expostas para visitação no Museu da Abolição até o dia 11 de agosto. De lá seguem para o Museu Murilo La Greca, no bairro de Parnamirim, entre os meses de agosto e outubro. Depois estarão em exibição no Sertão do estado, no Sesc, em Triunfo, de outubro a dezembro.