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AGROFLORESTA PRODUZINDO ALIMENTOS SAUDÁVEIS E ESFRIANDO O PLANETA

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06/01/2020

Foto: Retrographie

Por Maria Cristina Aureliano, agrônoma e assessora de Mobilização de Recursos do Centro Sabiá

Sistema de Agricultura que alia eficiência na produção de alimentos e fornecimento de serviços ambientais.

No ano de 2019, representantes de países se reuniram em Nova Iorque, durante a Cúpula do Clima da ONU, para apresentar avanços na redução dos efeitos das mudanças climáticas ou propostas ambiciosas para enfrentá-las. Mas não havia ninguém do governo brasileiro entre eles, retratando o retrocesso das políticas nacionais para redução das emissões dos Gases do Efeito Estufa (GEE). Diferentemente dos países industrializados, onde o uso de combustíveis fósseis é um dos principais emissores de CO2, no Brasil é o setor agropecuário de exportação o principal responsável pela emissão dos GEE. Dados do Climate Watch  2016 colocam o Brasil como sexto maior emissor anual de GEE que são provenientes dos desmatamentos (60% das emissões) e da criação de gado (20% das emissões). O Brasil começou a aparecer nesta lista no final dos anos 1980 e para sair dela precisará resolver o problema do desmatamento, investir em energia renovável e em sistemas de agricultura de baixo carbono. Sistemas de produção de base agroecológica, como as agroflorestas, têm essa capacidade, pois produzem alimentos com baixo impacto ambiental, preservando os bens comuns e possibilitando que o Brasil cumpra os compromissos firmados no Acordo de Paris.


Há 26 anos famílias agricultoras camponesas de Pernambuco em parceria com o Centro Sabiá experimentam e aperfeiçoam sistemas agroflorestais para produção de alimentos. Estas experiências demonstram como estes sistemas são eficientes na conservação dos recursos naturais e na oferta de serviços ecossistêmicos, como aumento da fertilidade do solo e da biodiversidade, sequestro de carbono, produção de água e proteção de nascentes e matas.

Foto: Retrographie


Em 2016 o Centro Sabiá publicou um estudo, em parceria com o CAATINGA, e com apoio do Fundo Clima/MMA sobre o impacto das agroflorestas para a adaptação às mudanças do clima e no combate à desertificação. Os resultados demonstraram a sua eficiência enquanto sistema de agricultura de baixo carbono, tanto por ser um sistema que não usa fertilizantes derivados do petróleo, como pela sua capacidade de captar carbono da atmosfera. Este estudo foi realizado em 15 áreas de agroflorestas do Semiárido pernambucano, que chegaram a fixar em aproximadamente 15 anos de implantação cerca de  de 150 toneladas por hectare de CO2 equivalente. O estudo também mostrou a eficiência da agrofloresta no combate à desertificação. Nas agroflorestas estudadas foram encontradas 158 espécies diferentes de plantas de 45 famílias botânicas. Comparadas às áreas de Caatinga nativa, algumas agroflorestas apresentaram uma diversidade semelhante e até superior, revelando sua capacidade para revegetação de áreas semiáridas.


Entre os sistemas agroecológicos a agrofloresta é o mais resiliente, quando exposta a uma determinada intempérie, como as secas, conseguem recuperar-se mais rapidamente, demonstrando ser mais adaptada ao contexto de eventos climáticos extremos que estamos vivendo.