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Água, direito fundamental no combate ao Coronavírus

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24/08/2020

Foto: Rosineide Gomes Fernandes

Água, direito fundamental no combate ao Coronavírus

Por Aniérica Almeida, assessora para Agricultura Urbana do Centro Sabiá e Juliana Peixoto, assessora técnica do Centro Sabiá

Em tempos de pandemia, o uso de água e sabão tem sido eficaz para a higienização das mãos, roupas e utensílios evitando o contágio com o novo coronavírus. Esta é uma das recomendações da Organização Mundial de Saúde. Uma simples medida que salva vidas! Isso porque as pesquisas mostram que esse vírus é composto por uma camada de gordura que pode ser quebrada com a aplicação de água e sabão. Mas você, já parou para pensar que em pleno século 21 existem pessoas que ainda não tem acesso à água? Logo a água que é um bem comum e um direito universal!

Pois bem, a realidade é que comunidades inteiras, seja no campo ou na cidade, vivem diariamente com essa violação de direito. Não acessam a água! A água, que gera vida, não chega ou passa muitos dias para chegar nas casas e barracos de muitas famílias que moram nas periferias das cidades, como afirma dona Iara da Silva, da Ocupação 15 de Novembro, localizada no município de Paulista, na Região Metropolitana do Recife. “Água aqui só de oito em oito dias! Chega e no mesmo dia se acaba! Para complementar e garantir uma higiene mínima, estamos pegando água das chuvas que coletamos nas biqueiras. Aqui não temos água e nem saneamento!”

Para muitas famílias do campo, falar em água como direito também é algo muito distante. Existe um ditado popular que diz que quem guarda tem! Mas como falar para as famílias do campo que ainda não possuem cisterna para guardar água? As cisternas são consideradas tecnologias sociais que captam e armazenam água das chuvas, e para as famílias agricultoras que vivem no Semiárido, estocar é a melhor forma de conviver com as condições climáticas típicas dessa região. Trazendo para a realidade atual, ter água estocada também é a melhor forma de se prevenir contra a Covid-19. 

Renata Gomes, jovem agricultora residente na comunidade de Jundiaí, município de Orobó, não possui cisterna e destaca que nesse período chuvoso a água está indo embora. “Se eu tivesse uma cisterna, eu estaria mais tranquila em saber que tenho água guardada para consumo, limpeza pessoal e da casa além de ganhar mais tempo para trabalhar no roçado e no corte de ração para os animais”. Com esse exemplo de Renata, destaca-se que várias outras famílias que estão espalhadas pelo Semiárido estão à espera da cisterna de 1ª água. Estima-se que em todo o Semiárido 350 mil famílias ainda não tiveram acesso a essa tecnologia para estocar água e atender suas necessidades básicas.  Acesso à água é um direito que garante vida digna às famílias do campo e da cidade.