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Bancos de Alimentos Populares são enfrentamento à crise

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08/10/2020

Foto: Darliton Silva / Acervo do Centro Sabiá 

Bancos de Alimentos Populares são enfrentamento à crise

Se a fome já era uma realidade, não só nas periferias, na situação atual de pandemia da COVID-19, os problemas se agravam. Diante da crise, a saída pode estar justamente numa alimentação saudável, livre de agrotóxicos. ”Uma alimentação livre de agrotóxicos e transgênicos ela é uma alimentação fresca, nutre melhor o corpo, mas também gera muito mais saúde na medida em que você precisa também estar saudável para enfrentar as doenças, para enfrentar uma possível contaminação por conta do vírus”, aponta Alexandre Henrique Pires, coordenador geral do Centro Sabiá e também da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA).

Foi pensando nas famílias afetadas, e também nos agricultores e agricultoras familiares que hoje dependem de suas vendas, que a campanha Mãos Solidárias tem mobilizado o Sertão, Agreste e a Zona da Mata para arrecadar produtos da reforma agrária e da agricultura familiar. A campanha surgiu com o projeto “Marmitas Solidárias”, em março de 2020, devido à pandemia, onde distribuíam marmitas para pessoas em situação de rua no Recife. Com a ajuda de organizações do campo e voluntários, hoje atuam também em Educação, Trabalho e Renda, Comunicação, Direitos e Saúde. A campanha já arrecadou mais de 12 toneladas de alimentos agroecológicos, formando um grande banco popular de alimentos. No Recife, desde o último mês de agosto, a Rede de Bancos Populares de Alimentos conta com um Banco Mãe,  instalado no Armazém do Campo, do MST, onde recebe doações, e bancos territoriais onde esses produtos são recebidos e também são organizadas outras doações nos bairros populares. “Essa iniciativa vem exatamente para buscar fortalecer as comunidades da periferia do Recife e Região Metropolitana, Caruaru e Petrolina. São municípios que já iniciaram também essas iniciativas criando um espaço onde empresas e pessoas podem dar esses alimentos que serão levados para as comunidades da periferia”, afirma Alexandre.

Veto à lei – Desde as eleições de 2014 o Brasil vem sofrendo uma crise política e econômica, que afetou a alimentação, principalmente da população mais pobre. São diversos fatores que nos trouxeram à essa situação, além da pandemia, o país também sofre os efeitos do atual desgoverno, com cortes no programa Bolsa Família, a desestruturação das políticas para agricultura familiar, na saúde, na aposentadoria, o aumento do desemprego. “Tudo isso tem gerado, de forma muito concreta, associada ao contexto do isolamento social e da pandemia, mais pessoas em situação de extrema pobreza”, enfatiza. 

Recentemente, o IBGE confirmou dados importantes, e preocupantes, em que diz que o Brasil voltou para o Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas. Em um país tão rico em terras como o Brasil, essa informação parece até absurda, se não fosse o atual momento de desgoverno. Também há pouco tempo, a Lei Assis Carvalho, que tem como objetivo propor ao governo uma ação emergencial de atendimento à população do campo, aos agricultores e agricultoras, foi vetada pelo voto presidencial, mesmo tendo maioria de votos tanto na Câmara de Deputados, quanto no Senado. “Isso significa dizer menos recurso para as mulheres agricultoras, isso significa dizer menos crédito do Pronaf para os agricultores acessarem, isso significa dizer a não negociação das dívidas por parte dos agricultores que têm alguma dívida com os bancos, que podem renegociar esse período, isso significa dizer menos recursos no programa de aquisição de alimentos”, são algumas das consequências ressaltadas por Alexandre.