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Encontro Territorial marca 20 anos da ASA no Agreste

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06/06/2019

 

Foto: Juliana Peixoto

Por Juliana Peixoto 

O Encontro Territorial que celebrou os 20 anos de história da ASA no Agreste buscou refletir sobre as mudanças ocorridas e os impactos do novo momento político na convivência com o Semiárido. O encontro aconteceu em dois momentos, no dia 26 de março, no município de Caruaru, e no dia 12 de abril, na comunidade Tanque de Antas, na zona rural de Santa Maria do Cambucá, reunindo 150 lideranças de 19 municípios, entre eles, sindicatos dos trabalhadores e trabalhadoras rurais (STR), secretarias de educação, secretaria de agricultura, guardiãs e guardiões de sementes crioulas, agricultoras e agricultores beneficiários pelos programas da ASA e pelo Projeto Dom Helder Câmara e organizações parceiras do território. 

No primeiro momento, foi feita uma análise dos impactos dos programas da ASA e também das atuais políticas do governo que vêm no sentido contrário ao fortalecimento da agricultura familiar no Semiárido. Na programação não faltaram: carrossel de experiências sobre acesso a tecnologias sociais (P1MC e P1+2); tecnologias familiares, bancos comunitários de sementes e cisternas nas escolas, tecnologias coletivas e auto-organização das juventudes e mulheres do território. 

Nossa inspiração para o dia na comunidade veio com a música de Zé Vicente Baião das Comunidades. Na programação, um debate sobre a auto-organização comunitária no município, avaliação dos aprendizados sobre esta primeira fase de implantação das tecnologias de segunda água e planejamento de 2019 com a assessoria técnica a estas famílias.

A manhã da sexta-feira buscou alimentar o espírito de coletividade, com práticas de mutirão. A comunidade tem se organizado desde 2013 com a construção da 1ª cisterna-calçadão no município, depois veio o viveiro comunitário e o banco de sementes. O caráter produtivo da cisterna-telhadão possibilitou dar continuidade aos processos produtivos. Com isso, o planejamento é produzir hortaliças em sistema de economia de água e comercializar junto com lanches na feira do município e em Surubim. Considerando a iniciativa em curso, as pessoas foram divididas em dois grupos a partir das tarefas, preparo de compostagem e espaço para plantio, com um público predominante de mulheres. Teve suor, risadas, muita garra e chuva ao final da manhã.

Após o almoço, o STR de Santa Maria do Cambucá, através de seu Xoxo e Claudia, buscou esclarecer os impactos da Reforma da Previdência para as famílias do campo. O segundo foco da tarde foi a primeira eleição após a fundação da Associação Cambucá, um momento histórico. A coordenação foi composta por mulheres, juventudes e homens. 

Na sequência, o assunto principal foi caráter produtivo e transformações através do acesso ao P1+2. As famílias transmitem sua alegria nas falas quando se referiram às cisternas. Dona Marinalva relata que hoje com sua cisterna-calçadão está muito feliz, pois não precisa sair à noite para ir buscar água. “A noite ficou pra descansar”, afirma ela.

Outro agricultor relata que morou em São Paulo, trabalhou e tinha um salário de R$ 5.000,00, vivia ostentando e hoje morando em Santa Maria do Cambucá relata que tem uma vida melhor. “Eu não acreditava que a cisterna iria sair, construí a cisterna através de mutirão e a um custo de R$ 246 e ainda hospedei, por 10 dias, dois pedreiros pra construção da minha cisterna e a do vizinho”.

Os depoimentos foram costurados por emoção, o inacreditável se tornou algo concreto, acompanhado de fraternidade e vida digna. E assim são as lutas do povo no Semiárido para garantia de dias melhores. De mãos dadas vamos muito mais longe e somos muito mais fortes!