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Feminismo, juventude, práticas agroecológicas e segurança alimentar são temas de seminário

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21/11/2017

Por Thaís Queiroz

Mais de três anos de vivências contados por mais de 300 agricultores em uma tarde. Assim foi o primeiro dia do Seminário Caminhos para a Sustentabilidade no Campo, que acontece no Assentamento Normandia em Caruaru. Mulheres, homens e jovens debateram sobre os avanços e desafios encontrados durante o projeto de Ater (Assistência Técnica e Extensão Rural) de Agroecologia.

O programa, iniciado em 2014, encerra o ciclo com muito a se celebrar. Mas com a consciência de que ainda há muito a se fazer. Os trabalhadores rurais foram separados pelas três regiões (Agreste, Zona da Mata e Sertão) e discutiram temas como a presença da mulher, juventude, práticas agroecologicas e segurança alimentar. Tudo em um ambiente colorido e decorado com os principais produtos gerados graças à orientação da Ater. 

Elizabeth Silva, de Jundiá de Cima, dividiu sua experiência, emocionada. “Agarrei essa oportunidade com tudo que eu tinha. Eu aprendi a ter segurança alimentar. Com todas essas atividades que eu participei hoje vivo em uma casa digna, tenho uma família bem informada e alimentação saudável”, afirma. Ela teme pelo futuro do programa. “Enquanto houver agricultor tem que existir a assistência técnica porque virão outras gerações e isso não pode parar”, disse. 

Ao ouvir as rodas de conversa, foi possível perceber que o ensino da agroecologia promovido pelo Centro Sabiá vem gerando ainda outro fenômeno: uma nova geração de jovens que escolhem ser agricultores por vontade e orgulho. Foi o que aconteceu com Wiliana Silva, 21 anos e moradora de Catende. “Pra mim não tinha futuro. Eu já pensava em sair da comunidade e ir pra cidade em busca de emprego. Depois que a Ater chegou eu passei a gostar de ser agricultora. Hoje eu moro no campo, tenho alimentos saudáveis e ganho uma renda, coisa que nunca aconteceria na cidade”, afirma. 

Após as rodas de debate, todos se reuniram em uma grande ciranda, onde declamaram poemas, cantaram e apresentaram suas histórias de vida. Também foi exibido um curta especial, mostrando mais depoimentos de sucesso. O ponto alto da noite ficou a cargo de uma divertida peça de teatro que lançou a Campanha Pela Divisão Justa do Trabalho. 

Para o coordenador geral do Centro Sabiá Alexandre Henrique Pires, o clima de união visto neste primeiro dia só mostra como o programa foi bem sucedido. “O resultado dos trabalhos de grupo e os depoimentos dos agricultores já mostram a satisfação deles de compartilhar esse momento”, afirma. Nesta terça, a partir das 6h no Marco Zero de Caruaru, acontecerá a feira agroecológica, dentro da programação do Seminário. A iniciativa será uma ótima oportunidade para o público conhecer de perto o resultado desse importante trabalho. Participe!