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Fundo Rotativo Solidário contribui para transformação de vidas de famílias

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10/01/2020

Foto: Orlando Santana

Por Orlando Santana, assessor técnica do Centro Sabiá 

O trabalho com as famílias agricultoras tem contribuído de diversas formas para um mundo melhor. Uma dessas iniciativas tem sido o Fundo Rotativo Solidário (FRS) uma maneira de construir, junto às famílias agricultoras, mecanismos de apoio à transição agroecológica, visando a sustentabilidade no campo e a mitigação das mudanças climáticas.

O Fundo Rotativo Solidário se refere a um valor para investimento em atividades que as próprias famílias já desenvolvem na perspectiva da melhoria dos seus sistemas para que eles sejam cada vez mais sustentáveis tanto para as famílias tanto para o meio ambiente. A palavra “rotativo” tem como principal objetivo efetivar a promoção de rotatividade desses recursos, abrangendo também outros sujeitos da comunidade, do município ou da região, principalmente oportunizando mulheres e jovens, uma maneira de dar visibilidade a esses sujeitos que são de extrema importância na agricultura familiar.

O termo “solidário” confere um novo sentido de sociedade, com estilo e valores concebidos e apropriados localmente, mas abertos à interação com outros grupos e ideias e contrapondo-se às relações políticas e econômicas excludentes. Os fundos são mais do que mecanismos de financiamento de atividades. Eles têm se mostrado um forte instrumento da economia comunitária a serviço do desenvolvimento compartilhado. Como um sistema de crédito mútuo, têm sido, na verdade, um exercício fundamental na busca da sustentabilidade dos sistemas familiares, na perspectiva da convivência com a região semiárida e na transição agroecológica.

Atualmente o Centro Sabiá tem trabalhado de forma coesa com as famílias que estão sendo assessoradas pelo Projeto de Assessoria Técnica Dom Helder Câmara (PDHC) na região do Agreste de Pernambuco, envolvendo também jovens que fazem parte da Comissão de Jovens Multiplicadores da Agroecologia (CJMA) do Sertão e do Agreste. Hoje, essa iniciativa tem apoiado aquisições de pequenos animais, estruturas, insumos e equipamentos para beneficiamento da produção de nove famílias no Sertão e 42 famílias no Agreste. 

Temos como exemplo a agricultora Josefa Quirino de Albuquerque, residente na comunidade do Rodrigues, no munícipio de Cumaru-PE. Dona Josefa reside com seus dois filhos, Gabriel e Thiago, e tem destinado seu tempo na agricultura e na criação de galinhas tanto para postura como para produção de carne, aptidões essas que servem para alimentação familiar e para abastecer os mercados locais, sejam eles da comunidade ou do município. 

“Era um sonho meu poder ter um local adequado para minhas galinhas, pois sem uma casinha sempre morriam galinhas no período das chuvas. Hoje, com o apoio do fundo rotativo, já não morrem mais”, disse dona Josefa Quirino.

As famílias que recebem esse apoio têm de seis até 18 meses para fazer a devolução do recurso, recurso esse que será acessado por outras famílias, culminando assim em uma transformação justa e solidária.