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Isolamento social ainda é a melhor medida pra evitar expansão do vírus

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04/05/2020

 

Foto: Acervo do Instituto Aggeu Magalhães (Fiocruz Pernambuco)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou pandemia global por conta da transmissão rápida do coronavírus pelo mundo inteiro. No Brasil, o Senado aprovou em Diário Oficial o decreto de calamidade, que entrou em vigor no último dia 20 de março. O estado de calamidade dá permissão ao governo de aumentar o gasto público e permite que se descumpra a meta fiscal anual. A decisão não precisa passar pelo veto à presidência. Sim, precisamos falar sobre o novo Coronavírus (Covid-19) e como ele afeta a vida em sociedade.

Para Idê Gurgel, médica sanitarista e pesquisadora do Departamento de Saúde Coletiva da Fiocruz Pernambuco, é preciso, antes de tudo, entender o que é esse vírus. Os coronavírus são uma grande família viral. São conhecidos há bastante tempo, desde a década de 1960, principalmente. Mais recentemente, no início dos anos 2000, por volta de 2002, 2003, eles foram responsáveis por uma grande epidemia, chamada SARS, que causou quadros respiratórios, particularmente na América do Norte, alguns países da América do Sul, inclusive Brasil, Europa e Ásia. Depois, já por volta de 2012, a gente teve  outra virose também, por coronavírus, que ficou localizada mais no Oriente Médio, Europa e África, por isso foi chamado MERS, por sua localização no Oriente Médio. A principal característica desse vírus é que causa infecções respiratórias. O diferencial agora, segundo a especialista, é a gravidade que a doença tem tomado, causando infecções respiratórias graves e levando à morte, sobretudo, de idosos e de pessoas com doenças respiratórias preexistentes.

Ainda de acordo com os profissionais de saúde, a melhor forma de se combater a doença é a partir da prevenção. Para Lindomar Pena, virologista e pesquisador do Departamento de Virologia e Terapia Experimental da Fiocruz Pernambuco, a transmissão se dá pelo contato pessoa a pessoa e também pelo ar. Lavar a mão com frequência, com  água e sabão e usar álcool em gel, são algumas das medidas preventivas. Outras boas práticas de higiene, segundo o virologista, é manter janelas abertas e o ambiente sempre ventilado, cobrir o rosto ao tossir e espirrar – com o cotovelo e não com as mãos – e evitar aglomerações (qualquer ambiente em que haja mais de cinco pessoas), sempre que possível, além de não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres e pratos.

Foto: Acervo do Instituto Aggeu Magalhães (Fiocruz Pernambuco)

“Outra prática importante também é evitar sair de casa o máximo possível. E quando o fizer, se for estritamente necessário, ao chegar em casa, é preciso não entrar com sapatos, deixar os objetos pessoais na entrada da casa e ir direto tomar um banho. Essa roupa também deve ser deixada para lavar, não deve ser reutilizada.  Também se deve higienizar celular e óculos, porque também esses objetos podem carregar o vírus”, enfatiza Lindomar. 

Idê explica que: “ficar em casa é a principal solução. Mesmo estando em casa, é fundamental que você lave as mãos várias vezes ao dia, principalmente se você está  em contato com outras pessoas. Então, lavar as mãos, lavar o rosto, tomar banho. Mesmo  em casa, evitar abraço, evitar beijo, ficar o mais distante entre as pessoas porque a gente não sabe exatamente se há alguém contaminado dentro de casa, ele pode ter se contaminado e ainda estar no período de 14 dias que são esperados para que a doença vá  aparecer”.

Os profissionais de saúde concordam que, enquanto não houver remédios ou vacinas disponíveis, o isolamento social ainda é o método mais eficaz de prevenção à doença, por isso a quarentena, especialmente no período de pico (maior número de casos), estimado, no Brasil, para o mês de maio. No entanto, o isolamento deve ser apenas físico: reuniões virtuais, contatos telefônicos, mensagens para as pessoas queridas são formas encontradas para amenizar a distância das pessoas queridas. Preservar a saúde mental é essencial, mantendo vivos hábitos dos quais gostamos, como cuidar das plantas e a boa leitura de um livro. “É muito importante nós termos a  compreensão de que é uma fase momentânea, de que isso vai passar e se nós nos mantermos isolados, nós estamos contribuindo para o controle e a mitigação, diminuindo os  danos da pandemia”, observa Lindomar.