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Mobilização jovem como resistência no campo e na cidade

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01/09/2020

 

Foto: PH Reinaux / Acervo do FOJUPE

Mobilização jovem como resistência no campo e na cidade

“Nós, enquanto juventude, temos todo o nosso direito negado, tanto direito à educação, quanto direito ao trabalho, direito à moradia em certas partes, direito à cultura, que isso não existe”, Luiz Amaik sobre a deficiência no cumprimento do Estatuto da Juventude.

O Estatuto da Juventude, aprovado em 2013, existe para garantir os direitos dos jovens na sociedade, como: direito à educação, direito à igualdade, direito à saúde, direito à cultura, direito à comunicação e à liberdade de expressão, entre outros. Mas o conceito de expectativa e realidade cabe como uma luva aqui. O País passa por um momento de desgoverno, em que, principalmente os e as jovens precisam ir às ruas para lutar pela redemocratização, e fazer entender que também são sujeitos de direitos. Não faz sentido todas as formas de opressão e violência que eles passam pelo próprio governo: ao mesmo tempo em que são criminalizados e vulneráveis, também são a esperança de um futuro melhor. 

Infelizmente, não é nenhuma novidade que a juventude é malvista pela sociedade, sendo até sinônimo de baderna, como diz Maurílio Nogueira, indígena do Povo Truká, do município de Cabrobó, no Sertão. Ele é vice-presidente do Conselho Estadual de Política Pública para a Juventud e também faz parte do Fórum de Juventudes de Pernambuco, o FOJUPE. Como forma de resistência e enfrentamento a esse e a tantos outros preconceitos, é comemorado em agosto o “Mês das Juventudes”, dedicado inteiramente à discussão de temas que fazem parte da diversidade das pautas das juventudes, como indígenas, negros e LGBTQI+. Trata-se, de acordo com Cássia, que também é do Fojupe, de “uma junção de atividades, de rodas de conversa, nos coletivos, nos seus territórios”. Cássia também representa o Instituto de Protagonismo Juvenil, o IPJ, de Surubim, no Agreste, município onde vive. 

A mobilização das juventudes faz manter vivas suas culturas, refletidas em danças, músicas, atos públicos, e também enfrenta o preconceito, que cega e dificulta no reconhecimento do potencial desses jovens. “Nós temos que criar nossas redes de apoio como a gente vem fazendo, e aí a gente vem agregando coletivos. A atividade qem que um coletivo vai, todos aqueles vão também, uma batalha de rap que a gente promove, todos os outros coletivos também aparecem”, diz Luiz Amaik, poeta marginal, autor do livro Etc., ativista cultural, integrante do coletivo de artistas cabense Cabemais, e também integrante do FOJUPE. Sobre a importância desses movimentos, Luiz fala que “é muito importante que a gente se junte e atue um a favor do outro, um com o outro, e em prol do outro também, porque só assim a gente consegue realizar o que a gente quer e passar o que a gente precisa para a nossa juventude, que é uma educação de qualidade, um espaço cultural, um lugar de esporte, de divertimento, que é o que a gente precisa para crescer em sociedade”. 

A importância da inclusão das diversas identidades da juventude no Fórum de Juventude de Pernambuco, que este ano completa 10 anos de existência, pode ser expressa na fala de Johnny, integrante do coletivo Ruas, Juventude Anticapitalista e também do Fórum LGBT de Pernambuco. Ele diz: “Para falar sobre juventude LGBT e como é importante a nossa luta em ambientes como esse, se faz necessário para dar mais pluralidade aos fóruns, aos projetos, a tudo e a qualquer lugar de juventude. Afinal, precisamos normalizar que nós LGBTs também podemos dar as nossas opiniões sobre a sociedade, onde a juventude cis hétera está tão acostumada. Então, a gente também deve estar inclusos nesses processos porque, afinal, estamos dentro da sociedade e para além disso a gente também pode auxiliar na desconstrução e nos mitos sobre ser LGBT, sobretudo, sobre a lesbofobia, a transfobia, o que uma trans passa, sabe? O que um gay passa para poder se assumir, tudo isso. Então, está dentro dos fóruns de juventude é necessário para normalizar os nossos corpos e a nossa existência”.

A juventude do campo é plural – Já as juventudes do campo, apesar de não terem a mesma proporção de reconhecimento, sofrem das mesmas questões, muitas vezes com mais dificuldades em acesso à transporte, educação e até mesmo com questões específicas do mundo rural. “A importância da juventude mobilizada no campo, primeiro ela tem mostrado que é plural, ela é indígena, ela é camponesa, ela é negra, ela é quilombola, ela é LGBTQI+. E ela traz a dimensão histórica da sua potencialidade, contestação, de crítica e transformação a partir das práticas sociais. Sem a juventude não há agroecologia”, ressalta Tatiane.

 “Acredito que a juventude é um ser que a todo momento está em evolução e esse processo de evolução faz com que a juventude tenha cada vez mais sede de ocupar os espaços, espaços políticos, espaços estratégicos que de fato somam-se a uma discussão de agora. Então, vejo que o papel do jovem nesse momento é sempre acreditar em si, sempre estar coletivamente, pensar estrategicamente junto a outras juventudes para fazer os contrapontos, discordar de uma sociedade capitalista, de uma sociedade machista, de uma sociedade violenta, homofóbica. Vejo que essa juventude precisa levantar suas bandeiras reafirmando as suas lutas, defendendo os pequenos e denunciando as injustiças. A juventude tem se movimentado, ela tem mudado a todo instante”, destaca, ainda, Maurílio.