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PEGADA ECOLÓGICA E ALIMENTAÇÃO

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23/01/2020

Foto: Ana Lira / Acervo do Centro Sabiá

Por Davi Fantuzzi, gestor de cooperativas, coordenador da Comissão de Produção Orgânica de Pernambuco (CPOrg-PE) e assessor de mercados do Centro Sabiá.

Você já parou para pensar na sua pegada ecológica? Sim, pegada ecológica! Esse termo é usado para expressar as marcas que nosso padrão de consumo deixam no planeta. E a nossa alimentação tem tudo a ver com isso.

Se você vive na cidade, o alimento que você consome precisou ser produzido e no mínimo transportado para chegar até sua mesa e isso pode ter gerado muita poluição.

Você pode até pensar: "Não produzo meu alimento, mas sou vegetariano, ou vegano, e causo pouco impacto ambiental". De fato, se você não come carnes e laticínios, já está prestando um grande serviço à Terra, uma vez que esse setor é um dos grandes responsáveis pela emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE). O Centro para a Alimentação e Nutrição Barilla lançou um estudo que aponta que a produção de um quilo de carne bovina resulta em mais de 31 quilos de GEE.

E o problema não é só a carne. Os alimentos industrializados, ou mesmo os in natura produzidos em larga escala, também contribuem muito para a degradação ambiental, pois além de utilizar agroquímicos poluentes no seu processo de produção, também viajam longas distâncias, o que acaba liberando mais GEE e acarretando em perdas. Segundo a ONU, 30% de produção de alimentos no mundo é desperdiçado por conta das distâncias no nosso atual sistema agroalimentar. Isso tudo em um mundo onde quase 900 milhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar. 

Diante disso, para ter um consumo consciente e reduzir nossa pegada ecológica, o primeiro passo é diminuir o consumo de carnes, principalmente a vermelha, e de alimentos e laticínios industrializados. O mais importante que devemos ter em mente é que ser um consumidor consciente e respeitoso com o planeta inclui certamente o consumo de alimentos da estação e produzidos próximo a você. E não há local melhor para encontrar esse tipo de produção do que nas feiras agroecológicas, mercados de proximidade que fazem contraponto aos alimentos convencionais viciados em petróleo.

Há mais de 22 anos o Centro Sabiá investe na criação e fortalecimento de feiras agroecológicas onde o alimento viaja em média 50 quilômetros para chegar até o consumidor final. Essas feiras combinam sustentabilidade ambiental com incremento na renda local e saúde para a população que consome.

Fazer escolhas conscientes e mudar nossos hábitos são um ponto de partida muito importante. Entretanto, diante da urgência em reverter a atual crise ambiental, é necessário comprometimento dos governos com a criação de políticas públicas voltadas à conscientização da população e combinadas ao fomento, assessoria e apoio à agricultura familiar, setor onde temos os sujeitos sociais com vocação e capacidade de produzir alimentos de forma sustentável.