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Pobre tem que comer restos – assim pensam os capitalistas do mercado de alimentos

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24/01/2018


Foto: Giro Business Digital/Reprodução 

Por Laudenice Oliveira (Centro Sabiá)

Na primeira quinzena de janeiro deste ano o Jornal Folha de São Paulo soltou uma informação que a BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, lançou uma nova linha de alimentos processados para população de baixa renda. O nome da nova marca é Kidelli e 14 produtos levarão essa marca. De acordo com a matéria da jornalista da Folha, Tatiana Vaz, o vice-presidente de operação da BRF, Alexandre Almeida, declarou que esses novos produtos são para “aproveitar o excedente da matéria prima”. Leia-se, os restos das carnes usadas para fazer os produtos da Sadia e da Perdigão. Numa iniciativa como essa, só podemos interpretar que a dona da Sadia acha que pobre tem que comer restos. Assim que pensam os capitalistas do mercado de alimentos. Outro grupo que tem os mesmos princípios é o do agronegócio, pois pensam que não têm problemas envenenar a produção agrícola para que o povo consuma. Porque o que interessa na realidade, é gerar muito mais riquezas para eles/as, inclusive para comprar deputados/as que criam e aprovam leis que beneficiam essa classe social.

Vale lembrar aqui que a BRF é uma das empresas pegas pela Polícia Federal na Operação Carne Fraca, junto com a JBS, dona das marcas Friboi, Seara e Big Frango. Essas duas empresas capitanearam o escândalo de estarem dando propina para políticos do PMDB e PP para não serem fiscalizadas. A operação Carne Fraca descobriu, essa informação saiu em diversos veículos de comunicação, que as duas empresas estavam colocando produtos químicos em carnes vencidas para continuar comercializando os produtos para a população. 

A preocupação que fica é sobre a qualidade e o tipo de “matéria prima excedente” usada para fazer os produtos para a população mais pobre. A BRF informou que os produtos sairão com uma baixa de 15% no seu valor, em relação aos das marcas “top” da empresa. Isso segundo a informação da Folha, porque a empresa também vai economizar em propaganda, já que ela parte do princípio de que não precisará gastar com a divulgação da nova marca, a Kidelli. Aí entra a outra percepção dos/as capitalistas em relação à população mais vulnerável, que ela compra o que é sem qualidade independente de divulgação, porque o foco é saber se a grana dá para comprar algo que sacie sua fome. 

Direito Humano - o direito a alimentação é um dos Direitos Humanos. Ter direito a alimentação, não é apenas o direito de comer para se livrar da fome. É o direito de se alimentar de forma adequada e com qualidade nutricional, para que as pessoas possam viver com segurança alimentar e saúde. De acordo com o Ministério da Saúde, aumentou em 60% o índice de obesos/as no Brasil. Esse aumento acelerado, também tem relação com os alimentos consumidos, hoje, pela população que consome muitos produtos ultraprocessados, industrializados e com baixo teor nutricional. 

Rotulagem -  no Brasil temos a Losan (Lei Orgânica de Segurança Alimentar – nº 11.346), que foi aprovada em setembro de 2006, devido a mobilização de diversos setores da sociedade civil  organizada, e regulamentada em agosto de 2010, também depois de muitas lutas. Nela, também há as regras de garantir para todos/as  os/as brasileiros/as uma alimentação de qualidade. Neste momento, há uma nova batalha sendo travada para que se possa ter essa garantia e a população saiba o que consome quando compra qualquer produto nos mercados espalhados pelo país. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), vai mudar as regras de rotulagem nutricional dos alimentos no Brasil. A batalha é saber qual das propostas a Anvisa vai acatar, pois duas estão em questão. Uma apresentada pela Associação das Indústrias de Alimentos, que já se pode até imaginar o que eles defendem, e a outra é da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, que beneficia o consumidor. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), está em uma campanha para que a proposta da Aliança pela Alimentação seja a aprovada pela Anvisa. Há uma petição online onde cada pessoa pode entrar para assinar, solicitando que seja revisto o atual modelo de rotulagem, porque os/as brasileiros/as têm o direito de saber o que consomem. Você pode participar assinando a petição no endereço clicando aqui