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Trajetória agroecológica e comida de verdade

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08/07/2020

Foto: Grasiely Silva

Trajetória agroecológica e comida de verdade

Por Darliton Silva, comunicador popular do Centro Sabiá  

No Sítio Sobrado, região serrana do município de Jataúba, agreste central de Pernambuco, mora Gildo José da Silva (31 anos) com sua família. Juntos, eles têm um pequeno sistema agroflorestal, onde produzem alimentos saudáveis para própria alimentação e comercialização. São hortas, pomar e criação de aves, cabras e ovelhas. Tudo isso em menos de um hectare de terra e a 996 metros de altitude.

Há muitos anos Gildo trabalha com agroecologia, e cada ano o SAF – Sistema Agroflorestal vai ganhando uma nova cara, novas tecnologias são implantadas, novos conhecimentos vão sendo adquiridos e aplicados na propriedade, conceitos de permacultura dão um design diferenciado e a família se envolve e mergulha nesse mundo agroecológico.

São as tecnologias de captação e reuso de água e as várias formas de utilização dos recursos da natureza que dão uma resiliência ao sistema produtivo. Gildo e sua família tiram os objetos que iriam poluir o ambiente e introduzem de forma sustentável no SAF.

A família de Gildo, assim como muitas famílias agricultoras assessoradas pelo Centro Sabiá adotou a agroecologia como modo de produção de alimentos saudáveis, sem veneno. Esse modelo de produção coloca a vida das pessoas e do planeta em primeiro lugar, respeitando o meio ambiente e todos os seres que nele habitam.

Neste período de pandemia, a família de Gildo, além de estar se alimentando bem com comida de verdade, a renda melhorou por causa do aumento dos pedidos dos produtos produzidos em sua propriedade. “A gente está vendendo mais do que vendia antes. Antes a gente entregava na cidade há algumas pessoas somente, atualmente a gente permanece entregando na cidade uma vez por semana, na quinta feira, mas a gente está entregando mais produtos agroecológicos para mais gente na cidade e na própria comunidade. Eu mando um whatsapp para as pessoas com a lista, o pessoal faz os pedidos e na quinta-feira a gente sai para fazer as entregas. Isso está sendo muito bom”, afirma Gildo. 

Gildo também destacou a importância das assessorias técnicas e das tecnologias sociais de armazenamento de água que eles receberam ao longo dos anos. Tecnologias que foram frutos de investimento em políticas públicas de conivência com Semiárido, onde as organizações que compõem a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) tiveram um papel fundamental na mobilização, capacitação das famílias e implementação das tecnologias. “Aprendemos armazenar água e a plantar em todo o espaço que tinha disponível”, disse ele.