O grão que nos alimenta



Por Laudenice Oliveira (Centro Sabiá)

Seu nome científico é Zea mays, mas para nós brasileiros ele se chama milho. E no mês de junho ele vira a atração principal dos festejos. São João sem milho ou as comidas preparadas com ele não tem o mesmo sabor. Na literatura há informações de que o consumo do milho no continente americano é de 5 mil anos Antes de Cristo. As civilizações Maia, Asteca e Inca reverenciavam esse grão nas artes, na religião e era um dos principais cultivos desses povos. Pesquisas dão conta que existem aproximadamente 150 espécies de milho, com uma diversidade grande de cores e formas: há milho amarelo, vermelho, preto, branco, e tantas outras. 

Hoje, o milho é consumido em todos os continentes, sua produção no mundo só perde para o trigo e o arroz. No Brasil, antes da chegada dos portugueses, os índios já cultivavam e consumiam esse grão que faz parte do nosso cotidiano e da dieta alimentar dos povos indígenas e nossa, pois é um grão muito nutritivo e energético. 

Neste período das festas juninas o grão vira pamonha, canjica, bolos, munguzá, sem esquecer da velha e sempre pipoca de cada dia. “Sem milho não há são João, pois ele faz parte da cultura e do trabalho dos agricultores, que sempre comemoram a fartura da safra com comidas típicas”, ressalta o jovem agricultor Getúlio Roberto, do sítio Cajá, município de Cumaru, Agreste de Pernambuco.

A agricultora Alaíde Martins, do sítio Souto, que fica em Triunfo, Sertão pernambucano, fala das formas diversas do uso do milho na região dela. “Na nossa região o milho tem grande importância e nessa época junina comemoramos de várias formas, como alimentos fazendo pamonha, canjica, milho cozido e assado, bolo de forno e de frigideira. Mas usamos o milho também para fazer arranjos e enfeitar as ruas, os sítios, as barracas e os lugares onde têm as danças, as quadrilhas”, explica dona Alaíde. 

Agricultora como é dona Alaíde, a sua família têm a preocupação de guardar suas sementes de milho para garantir seu plantio com sementes de qualidade. Entre as famílias agricultoras que praticam a agroecologia é comum o cuidado com as sementes crioulas do milho e de outras culturas. “Nossa semente crioula é como uma joia preciosa. Guardamos com muito carinho para a nossa alimentação e a alimentação dos animais. Sempre tendo muito cuidado para não perder a origem delas, que vem dos nossos antepassados e que guardamos até os dias de hoje”, pontua.

Transgênico – No Brasil o plantio e compra de sementes de milho transgênico foi liberado. O movimento agroecológico vem numa luta, junto com diversos movimentos sociais, para a sua proibição, já que não se sabe ainda as consequências do consumo desse tipo de semente geneticamente modificada. Há ainda outro risco que é perdermos as nossas sementes crioulas que se adaptam a cada microclima e são resistentes, garantindo a produção e o alimento saudável para as populações do campo e da cidade. 

Há ainda o risco de as famílias agricultoras ficarem reféns da compra dessas sementes produzidas em laboratórios. O debate sobre os transgênicos, inclusive, é assunto preocupa as famílias. “Falar de transgênico é muito complicado, porque são sementes modificadas em laboratórios. Isso faz com que ela produza em maior quantidade. Para quem não tem conhecimento acha que tá em grande vantagem. Não pensa nos perigos que pode enfrentar, principalmente na área da saúde. O que devemos levar em conta não é a quantidade é a qualidade para a nossa sobrevivência”, finaliza sabiamente dona Alaíde.

« Voltar