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Centro Sabiá distribui 500 Cestas Agroecológicas a mais de 2 mil pessoas no Grande Recife

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05/03/2021

Foto: Darliton Silva / Acervo Centro Sabiá 

Centro Sabiá distribui 500 Cestas Agroecológicas a mais de 2 mil pessoas no Grande Recife

Famílias de 87 terreiros de religião de matriz afroindígena receberam 500 cestas de

alimentos nesta quinta e receberão mais 500 no dia 23 deste mês

Por Rosa Sampaio e Darliton Silva* - Núcleo de Comunicação do Centro Sabiá 

Março de 2021, um ano que estamos vivendo a pandemia do Covid 19, um ano em que nós, brasileiros e brasileiras, estamos vivendo essa pandemia com o um governo que nos colocou de volta ao Mapa da Fome, das Nações Unidas, o qual tínhamos saído em 2014. São 10,3 milhões de brasileiros em situação grave de insegurança alimentar (fome), dos 68,9 milhões de domicílios no Brasil, 36,7% estavam com algum grau de insegurança alimentar, atingindo 84,9 milhões de pessoas. Esses são dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em setembro de 2020. Link IBGE (https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/28903-10-3-milhoes-de-pessoas-moram-em-domicilios-com-inseguranca-alimentar-grave).

Neste mesmo março de 2021, o Centro Sabiá em parceria com as codeputadas estaduais Juntas (PSOL) estão entregando 1.000 cestas com alimentos agroecológicos a famílias em situação de vulnerabilidade das periferias da Região Metropolitana do Recife, fruto da emenda parlamentar que as Juntas remanejaram no começo da pandemia, no valor de R$ 95.000,00 para o Centro Sabiá, por meio da emenda recebida pelo Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), dentro da ação de fortalecimento da Agricultura Familiar. Nesta quinta, dia 04, durante todo o dia, foram entregues 500 cestas em seis pontos de distribuição, nos municípios de Recife (2), Olinda(1), Paulista(1), Camaragibe(1) e Cabo de Santo Agostinho(1).

A ação foi pensada junto aos agricultores(as) e à Rede de Mulheres de Terreiros de Pernambuco. Em momento coletivo da entrega no Ilê Obá Iemanjá Ogunté, “Sítio do Pai Adão”, no Recife, representantes do Centro Sabiá, as codeputadas, representantes da Rede de Mulheres de Terreiro e representantes do IPA falaram um pouco da importância, neste contexto de fome, desemprego e falta de renda mínima, desta doação de alimentos saudáveis a mais de 2 mil pessoas. Para Alexandre Pires, um dos coordenadores do Centro Sabiá, a ação é uma forma de contribuir com o combate à pandemia. “O acesso a alimentos saudáveis é uma forma da gente contribuir com a melhoria da condição de vida das pessoas para o enfrentamento da Covid 19, nesse momento”, enfatizou. Além de Alexandre, estiveram presentes técnicos da ONG e agricultores da Mata Sul, envolvidos nesta mobilização.

As codeputadas Joelma Carla e Kátia Cunha participaram do momento coletivo e destacaram a importância da destinação das emendas das Juntas para a compra de produtos de agricultores familiares a serem distribuídos em comunidades periféricas da Região Metropolitana do Recife. “Essa é uma forma do legislativo incidir na melhoria da destinação dos recursos públicos que o Estado administra. Um dos objetivos da mandata é contribuir com a população rural e também fazer com que o alimento nutritivo, produzido por essa população, saia do campo e chegue na mesa das pessoas que mais precisam nas cidades. Esse projeto é muito mais que uma cesta básica, estamos levando alimentos nutritivos e saudáveis para as pessoas, finalizou Joelma Carla. 

Justamente neste contexto que nosso país vem enfrentando, passando por uma pandemia, como em todo o mundo, mas convivendo com o desemprego, o aumento da fome, o índice de mortalidade alto pela Covid em todos os estados, o corte, desde começo deste ano, do Auxílio emergencial, a falta de vacina para todos (não chegamos nem a 4% de pessoas vacinadas no Brasil até o dia 4/03)  e o colapso das unidades de saúde em todo o país, - acessar alimentos saudáveis e livres de venenos, fortalece não apenas a renda das famílias camponesas, mas também a imunidade e saúde das pessoas mais pobres neste momento de tanto abandono.

Foto: Darliton Silva / Acervo Centro Sabiá  

Vera Baroni, da Rede de Terreiros de Pernambuco, destaca a importância do Centro Sabiá junto às pessoas de terreiros para o enfrentamento à pandemia. “Mais uma vez o Sabiá está conosco, conseguiu negociar para que os recursos viesse para o povo de terreiro para as cestas básicas, porque como diz a Lei 8080 (Lei 8.080/90(link da leihttps://conselho.saude.gov.br/legislacao/lei8080_190990.htm) que rege o Sistema Único de Saúde - SUS), a saúde é um conjunto de políticas públicas  que tem a ver com educação, moradia, salários, agricultura, segurança, e o Sabiá fez isso com maestria, fazendo essa ponte entre os produtores orgânicos do campo e o povo e comunidades de terreiros, que estão nas áreas urbanas da Região Metropolitana do Recife”, lembrou Vera.

Alexandre Pires reafirma a importância das ações do Sabiá como ponte entre o campo e a cidade. Ações que fortalecem a agricultura familiar, orgânica e agroecológica, por meio da geração de renda de agricultores/as beneficiados, e leva comida de qualidade a quem passa por insegurança alimentar nas grandes cidades. “Essa ponte que Vera fala entre o campo e a cidade, ela se materializa numa ajuda mútua, a onde o Estado tem a obrigação de fazer essa ponte, a onde o Estado tem obrigação de quebrar as barreiras entre o campo e a cidade, porque a luta dos trabalhadores e trabalhadoras do campo também é a luta dos trabalhadores e trabalhadoras da cidade”, finaliza Alexandre.

No próximo dia 23, haverá uma segunda entrega de mais 500 cestas para as mesmas famílias, beneficiando aproximadamente 2069 pessoas de 87 terreiros de religião de matriz afroindígena. Cada família receberá duas cestas, que totalizando contém 85 Toneladas e 390 Kg de alimentos, cada entrega com 42 Toneladas e 695 Kg. Dos produtos adquiridos 77 toneladas e 750 kg são provenientes da agricultura familiar e 7 toneladas e 640 Kg, correspondente a arroz e feijão, foram adquiridos em mercado do município de Rio Formoso, na Mata Sul. Ao todo 13 famílias de produtores rurais forneceram produtos para esse projeto e foram beneficiadas com renda da venda de oito produtos que compõem a cesta agroecológica (vide box).

Produtos das Cestas Agroecológicas

Macaxeira, Cará São Tomé, Batata Doce, Banana Prata, Banana Comprida, Goma de Mandioca, Coco seco e farinha de mandioca, vindos da agricultura familiar da Zona da Mata Sul. 

Feijão e arroz,  adquiridos em mercado local do Município de Rio Formoso.

 

 

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